quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O ACORDO, ONDE ESTÁ O ACORDO.


Depois dum sem número de patranhas e tantos anúncios de governação ilusória, veio a campanha eleitoral do medo propagandeada até à exaustam. Não só ao longo dos quatro anos de desgovernação, em que massacraram o publico, acusando indiscriminadamente o partido socialista como sendo a raiz de todos os males deste país (e não se lembraram do papão comunista), como depois no período eleitoral em que montaram uma campanha feroz de que, se o PS fosse o partido mais votado, seria andar para trás, era bancarrota, a falta de dinheiro para pensões, salários, subsídios, e sabe-se lá mais o quê. Perdia-se todo o "trabalho" até então realizado pela pandilha mais conhecida pelas siglas psd e cds. 

Realizado o acto eleitoral e conhecidos os respectivos resultados, eis que se muda a cassete (a tal cassete, aquela da qual o psd se apropriou). "Nós ganhamos as eleições temos o direito a formar governo", mas....chatice das chatices, não há deputados que cheguem para apoiar consistentemente a continuação da destruição do país, do estado social, do assalto aos salários e pensões, a venda do que resta do patrimônio do estado ( de todos nós)  a preços de saldo e a entrega continuada da nossa soberania à ganancia dos chamados mercados do grande capital internacional e aos desígnios da nato, bloco militar agressivo e desnecessário. 
Uma vez que os seus deputados não chegam para o que se pretende, coloca-se a necessidade de lançar apelos incessantes ao PS no sentido dum amplo apoio às suas políticas destrutivas, e desta forma a continuação de domínio do poder político executivo. É aqui que surge o lado bicudo da questão.  O PS não estará disposto a participar num governo na posição dum qualquer subalterno, apesar da oferta de segundo lugar a que essa figura abjeta a que chamam p. portas se disponibilizou dispensar. Afinal o partido que antes foi a desgraça do país, agora já serve para participar no conluio do que têm sido as governações danosas de há quase quarenta anos. Seria uma péssima decisão aceitar tal proposta depois de tudo quanto foi propagandeado durante os quatro anos da legislatura contra os socialistas.  Mas não é este o maior "drama" para essa direita radical chefiada por passos coelho/paulo portas e patrocinada por cavaco silva.  O fim do mundo e a "catástrofe" é a possibilidade evidente do PCP e BE apoiarem um governo do PS!  Após a decisão patriótica do PCP em anunciar que por sua parte não deixaria de haver entendimento à esquerda entre PS/PCP e BE para a formação dum governo que ponha fim ao estado de penúria a que votaram o país e a maioria do povo, é que se deu o grande "choque elétrico" que atingiu a Páf em toda a sua dimensão. De tal forma que os deixou nervosos e inquietos. Esse nervosismo nota-se em cada declaração e em cada entrevista dos seus elementos. Todos alinham pelo mesmo argumentário, o do chefe, sendo actualmente o absurdo da assinatura do acordo à esquerda que já deveria ser do conhecimento publico. Eles até diziam que esse entendimento devia ter sido anunciado antes das eleições. Enfim, a inquietação é tal que se contradizem ao dobrar de cada esquina, perdendo a capacidade de raciocinar com lógica. 
Quem em 2011 teve conhecimento antecipado da coligação que entretanto se formou, psd/cds??? E em actos eleitorais anteriores onde posteriormente o cds foi muleta doutros governos, quem se lembra de ter havido algum acordo antecipado de governação, escrito e assinado ???
Psd/cds perderam votos e deputados. O PS, apesar de não ter atingido o resultado a que se propôs, aumentou o numero de votos e deputados. O PCP também subiu no numero de votos e ganhou mais um deputado e o BE dobrou a sua representação parlamentar. Portanto, houve clara indicação do eleitorado para a formação da tão desejada coligação de esquerda. Que querem agora? 
Acordem os acordos que quiserem, mas respeitem a democracia e a vontade expressa do eleitorado nas urnas. 

Eles querem comer tudo, eles querem comer tudo e não deixar nada. 

Luis Cardeira